Edifício com fachada de palha, por Kengo Kuma



Projetado em 2010 pelo escritório do arquiteto japonês Kengo Kuma, o Yusuhara Machino-eki é um complexo na cidade de Koch, no Japão, que abriga um mercado que vende produtos locais e um pequeno hotel com quinze quartos.

Combinando em seu grande átrio as duas funções diferentes, a construção usa materiais locais e impressiona pela inusitada fachada feita com palha.
 
 
A cidade de Yusuhara é amplamente conhecida por ter uma estrada principal que foi usada por Sakamoto Ryoma, um guerreiro “de mente elevada” da região que contribuiu para o início da Restauração Meiji (uma grande reforma política). Ao longo dessa estrada, existia uma série de abrigos, chamados “Chad Do”, que funcionavam não só como banheiros, mas também como uma espécie de salão cultural para os viajantes, servindo chás gratuitamente. Como uma tentativa de respeitar essa história, o projeto usa palha, material profundamente relacionado com os “Cha Do”, que funciona como um meio para ligar o passado e o presente.
 
Na parte inferior, junto à calçada, foi usado fechamento de vidro, incluindo a entrada do mercado (virada para a estrada), que assim permanece com sua face sempre aberta para a rua. Na parte superior da fachada foram usadas pilhas de palha com uma unidade modular de 200 x 98 cm. Essa aplicação de uma cortina de palha é uma forma sem precedentes, que produziu um resultado bastante interessante e reforçado por sua volumetria assimétrica.
 
Normalmente, em um telhado de palha, a palha é fixada verticalmente e seu corte fica exposto para fora. Nesta construção, no entanto, o grupo de palha é ligado horizontalmente, fazendo com que a extremidade dos cortes não seja exposta à chuva, o que aumenta sua durabilidade. Outro dispositivo para garantir a longevidade é o encaixe do batente de aço, que permite acoplar os blocos de palha a partir de ambos os lados, de modo que é possível estabelecer um rodízio para que os dois lados tomem ar fresco do exterior.
 
No espaço interno foram usadas toras de cedro parcialmente descascadas, para a estrutura, de modo que por diferentes inclinações de raspagem foi criada uma textura rústica. Também os móveis, o revestimento da parede e do teto foram feitos da mesma madeira, porém com um tratamento diferente em cada caso. Além de usar com maestria os materiais naturais, o arquiteto conseguiu também equilibrar materiais industriais como aço com acabamento espelhado e concreto, que se integraram muito bem ao projeto, sem descaracterizá-lo.
 
Fonte: Bruno Etchepare para www.arkpad.com.br
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